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Natália Picoli

Leituras, viagens e morar bem

    • Lidos em 2023
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    O que você faria se estivesse pelada (o) no meio da rua sem ter como voltar para casa?

    E o que você faria se visse um homem correndo pelado pelas ruas do Rio de Janeiro?

    É dentro desse contexto que se passa A nudez da Verdade de Fernando Sabino, uma crônica divertidíssima, texto leve e curto, ótimo para quem esta a um tempo sem ler e quer recriar o hábito da leitura! 

    O personagem principal dessa crônica é Telmo Proença um carioca de 48 anos, casado com Carla, ele esta com uma viagem marcada para São Paulo para uma premiação e na véspera descobre que vai sozinho, pois sua esposa decide ficar. 
    Chegando no aeroporto encontra com um grupo animado de músicos que também vai ao evento e como um bom grupo de brasileiros começam a fazer festa ali mesmo, o voo é cancelado e transferido para a manhã seguinte, o grupo que já esta animado vai para onde? Sim, para o bar, do bar para um after e por ai noite a dentro.

    Ao acordar pela manhã, Telmo descobre que perdeu o voo e acidentalmente se vê trancado pelo lado de fora da residência, totalmente nu, sem ter como voltar e é ai que a confusão começa, uma atrás da outra enquanto ele é perseguido pelos moradores e pela polícia do Rio de Janeiro. 

    O autor consegue deixar o leitor aflito pensando no que vai acontecer e como Proença vai sair dessa, como são apenas 84 páginas você consegue descobrir em uma sentada o desfecho da história, eu particularmente amei ele. 

    Eu achei o livro muito divertido em alguns momentos não gostei de alguns termos usados pelo autor, mas entendo que o texto base para a crônica foi publicado em 1975 e de lá para cá a cabeça das pessoas mudou bastante, ignorando esses termos achei a leitura muito divertida e super recomendo! 

    Ficou animado e quer comprar o livro? Clica aqui 

    Se você não liga muito para livros novos, eu recomendo procurar em algum sebo, eu paguei apenas R$ 10,00 na minha edição e aposto que por ser um livro mais antigo seja fácil de encontrar. 

    O que eu achei legal é que junto vem um folheto falando um pouco da vida do autor e com algumas perguntinhas sobre o livro, imagino que seja alguma edição de preparação para vestibular. 

    Sobre o autor

    Fernando Sabino é um autor mineiro, faleceu em 2004 com 81 anos, com 48 obras publicas. Ele fez parte da terceira fase do modernismo brasileiro, movimento que se caracteriza pelo anti-conservadorismo se destacava por suas crônicas, novelas, contos e romances.

    Em suas obras, também podemos verificar a presença de questões existenciais, comuns a essa geração, além do diálogo interior típico do romance psicológico, como por exemplo esse trecho da página 70 de a nudez da verdade: 

    "No seu caso, teria de se vestir para provar que era normal, voltar a esconder sob a roupa o atributo de sua condição de homem, para ser aceito pelos outros homens."

    Em todos os textos do autor o leitor convive, criticamente, com um universo sensível e diversificado de tipos humanos e situações que contribuem para uma análise do homem contemporâneo e seus complexos questionamentos da realidade na qual esta inserido. 

    SPOILER ALERT!!!!

    Quem mais desconfiou da carla desde o primeiro capítulo respira!!!!! Sabia que alguma coisa tinha para ela desmarcar essa viagem de ultima hora e o Lincon também me pareceu surpreso, quem mais teve essa impressão??? Me conta nos comentários.


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    O clube da luta foi o livro de setembro do Clube do Livro Maringá, a discussão final foi ontem e foi incrível! 

    Acho que o senso comum foi: Que livro louco! 

    Se você nunca ouviu falar do livro calma que eu te conto! 
    E, se você está pensando em pular a leitura porque já assistiu ao filme, REPENSE! O final do livro pode te surpreender!

    Eu ainda não vi o filme mas quero muito assistir para comparar as duas obras.

    Sinopse

    Um homem deprimido que sofre de insônia conhece um estranho vendedor chamado Tyler Durden e se vê morando em uma casa suja depois que seu perfeito apartamento é destruído. 

    A dupla forma um clube com regras rígidas onde homens lutam. A parceria perfeita é comprometida quando uma mulher, Marla, atrai a atenção de Tyler.

    Consumismo, solidão e prazeres momentâneos são alguns dos temas abordados durante o romance. 

    Considerado um ícone cult a obra motivou o filme homônimo estrelado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonhan Carter. 

    Sobre o autor 

    Charles Palahniuk é um autor e jornalista norte americano, possui um estilo de escrita caracterizado pelo uso e repetição de frases curtas plenas de humor cínico ou irônico.
    A narrativa nos livros de Palahniuk começam, não raramente, no seu fim cronológico, com o protagonista a recontar os eventos que conduziram ao ponto que forma o princípio do livro. Por bastantes vezes há um plotwist (revelação inesperada) perto do fim da obra.
    O autor tem mais 19 livros de ficção e 3 de não ficção publicados. 

    Minhas percepções sobre o livro

    O estilo do autor com frases, parágrafos e capítulos curtos foi muito interessante para mim, inclusive fiquei admirada com o como ele consegue fazer isso, escrevendo tão pouco e passando tanto significado. Ao mesmo tempo que a descrição é bastante sinestésica ela passa uma impressão de confusão, acredito que no final fica explicito porque. 

    O livro é escrito em primeira pessoa e temos a visão imprecisa de um narrador que sofre de insônia, na discussão do clube do livro várias pessoas disseram que conseguiram sacar o plotwist antes dele acontecer, eu sinceramente fiquei chocada e não imaginava isso acontecendo. 

    O livro contém poucas personagens femininas, pelo que contamos apenas 2, durante o debate sobre o livro, entendemos que talvez isso represente algum trauma do narrador, pois em algumas partes ele fala com desprezo sobre as mulheres e sobre a "geração de homens criados por mulheres" dando a entender que esses homens eram problemáticos por conta disso.

    É um livro rápido de ler, o estilo do autor faz com que a leitura te prenda e flua, o plot twist é muuuuuuito bom e o final diferente do filme faz com quem já viu o longa metragem tenha um motivo para a leitura. 

    Curiosidades 

    O livro começou como um conto que o autor escreveu em uma tarde de trabalho em um dia em que ele estava com o olho roxo de uma briga que havia tido nas férias, ele vendeu esse conto. Para aumenta-lo até chegar em uma história, começou a adicionar histórias contadas pelos seus amigos. 

    Em 2016 e 2019 o autor lançou uma Graphic Novel como continuação o Clube da Luta 2 e 3, 10 anos depois do final do primeiro livro, temos o narrador (descobrimos seu nome: Sebastian) e Marla, agora sua esposa, eles têm um filho de 9 anos e uma rotina enfadonha e careta, o que faz Tyler se agitar no subconsciente de Sebastian, não sou muito de graphic novels mas fiquei com vontade de saber o final dessa história! 

    No posfácio o autor explica que várias pessoas foram perguntar onde ele teve a ideia do clube da luta e tudo mais e ele responde com uma frase que me marcou bastante "Não há nada que um zé ninguém do Oregon com uma educação de escola pública possa imaginar que um bilhão de pessoas já não tenha feito"

    Ainda no posfácio outra coisa que me chamou atenção foram alguns comentários que ele disse receber da audiência e do publico, "porque não há um clube da luta feminino e outros tipos de clube da luta?" esse tipo de questionamento me lembrou o posfácio de Fahrenheit 451.

    Esse livro esta de graça no kindle unlimited, mas caso você queira comprar a edição física é só clicar aqui.






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    Theodore Dalrymple é na verdade o pseudônimo de Anthony Daniels, psiquiatra
     inglês e pensador conservador, em podres de mimados ele faz uma critica ao sentimentalismo tóxico e como ele pode ser prejudicial a sociedade de forma geral.

    O livro é dividido em 6 capítulos, no primeiro deles o autor defende a tese que a causa da sociedade estar "Sentimentalista" é em partes devido a educação que segundo ele, não esta rígida o suficiente e possui um excesso de liberdade para o aprendizado a consequência para isso é um desperdício de talentos e uma diminuição da cultura. 

    "Se a linguagem não é correta, então aquilo que se diz não é o que se quer dizer; se o que se diz não é o que se quer dizer, então o que deve ser feito permanece por fazer, se isso permanece por fazer, a moral e a arte vão deteriorar-se; a justiça se perde, as pessoas ficarão confusas. Por isso, não deve haver qualquer arbitrariedade naquilo que se diz. Isso é mais importante do que tudo" Confúcio 

    A preocupação do autor com a educação me lembrou um pouco o livro de ficção 1984 de George Orwell em que um governo ditatorial controlava a linguagem, com uma agenda de diminuir a cada ano o número de palavras do idioma, criando para a mesma palavra significados opostos, no livro o governo faz isso para controlar o pensamento da população. 

    "Assim uma palavra passa a incluir coisas demais e a significar coisas de menos"

    Ele tem uma preocupação semelhante com outro sintoma da educação mais livre: o medo de frustrar as pessoas, desde crianças, dificultando dessa forma o aprendizado em relação as dificuldades, isso é evidenciado principalmente em relacionamentos, pois se idealiza relacionamentos perfeitos, o que não existe, e na primeira ocasião onde é necessário esforço ou a frustração acontece o relacionamento é abandonado. 

    Outro sintoma do sentimentalismo que ele cita é não saber controlar as emoções e agir de acordo com as proporções dos acontecimentos, ele cita um exemplo de um pai que comprou um peito de frango no supermercado, a esposa cozinha e na hora de servir havia um pé de galinha no prato de sua filha de 11 anos, nesse exemplo a menina faz um escândalo, não come, chora muito e o pai resolve processar o supermercado por ter vendido o pé de galinha junto com a embalagem de peito, não estou defendendo o supermercado, mas concordo com o autor que os argumentos que motivaram o processo foram exagerados e poderiam ter sido enxergues de uma forma mais racional.

    Nos capítulos 4 e 5 "A exigência de emoção pública" e "o culto da vítima" ele mostra alguns exemplos reais em que o culto romântico da sensibilidade acontece, conferindo autoridade moral ao sofredor e quem não sofre se torna alguém com uma deficiência de caráter, que tem ausência de imaginação e sentimento.

    Ele trouxe inúmeros casos, o que me deixou um pouco chocada, de autores de memórias sofridas, de vidas miseráveis e abusos infantis, que na verdade cresceram em boas famílias e nunca passaram por nada que haviam relatado, mas que ainda assim, inventavam desculpas para se apoiar em um sofrimento que justificasse a própria fraude. 

    "Ouvir com uma referência acrítica aqueles que sofreram muito, apenas por causa de seus sofrimentos, provavelmente começou após a segunda guerra mundial e tornou-se um hábito."


    Esse trecho do livro me lembrou o livro "Em busca de sentido de Viktor Frankl" que é um relato de um psicólogo sobre os seus dias preso no campo de concentração, em uma parte do livro ele fala que nem todo judeu era bom e nem todo guarda alemão ruim, não havia como ser preto no branco, não é porque alguém sofreu que lhe é concedido o direito de fazer qualquer coisa.

    De forma geral não é um livro de fácil leitura, o autor trás argumentos válidos, mas em alguns momentos eu senti falta de uma diversidade maior de argumentos, senti que a construção do livro foi enviesada e nem todos os argumentos me convenceram, em outros no entanto concordo com ele. 

    A linguagem é um pouco rebuscada e prolixa, porém uma de suas críticas é ao baixo domínio da linguagem, então achei coerente a utilização de uma norma culta. 

    Para finalizar um trecho que me marcou do livro foi:

    "No mundo moderno um homem bom é um homem que tem opiniões corretas e que enuncia sentimentos impecáveis, sendo sua conduta efetiva consideravelmente menos importante"

    Em épocas de internet onde acompanhamos muitas opiniões fervorosas e poucas ações e um livro que elenca várias discussões importantes.  

    Você já leu o livro? Me conta o que achou nos comentários! 

    Ainda não leu? Compre aqui

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    Para mim Mulheres que correm com lobos é um livro que traz ferramentas para autoconhecimento do ponto de vista da psicologia Junguiana, se você ainda não sabe o que é isso da uma olhadinha nesse post que eu fiz em julho
    "Tudo o que você precisa saber antes de ler Mulheres que correm com os lobos"

    No capítulo 1 ela conta duas histórias a La Loba e os 4 rabinos e através da interpretação desses contos ela aborda a importância do autoconhecimento, de entender a natureza selvagem feminina e sobre os perigos de não estar preparado para o processo. 

    La Loba - Na história La Loba é uma velha no deserto, que recolhe de ossos, principalmente dos lobos, montam seus esqueletos e cantam para que eles ganhem forma e saiam correndo, se transformando em mulheres que saem correndo livremente. 

    No processo da nossa vida os ossos representam a nossa essência o que é natural para nós, como encontrar essas próprias partes de nós que "formarão nosso esqueleto", nosso autoconhecimento?

    Ela propões que para se conectar com a essência feminina, através de arte e da vida criativa, meditação, do silêncio intencional e ir buscando os nossos próprios ossos. Mas aqui não estamos falando da arte apenas na pintura, escultura, etc, mas de colocar criatividade no nosso dia a dia no ato de fazer o jantar por exemplo. 

    A autora usa a parábola dos quatro rabinos para alertar sobre os perigos de não estar suficientemente preparado para adentrar no terreno deste estado psíquico. Na história, os quatro homens são levados ao Paraíso por um anjo, quando retornam, um ficou louco e raivoso, o outro cínico e descrente, o terceiro se tornou um pregador fanático e o quarto, que era poeta, resolveu fazer arte. Foi o que conseguiu viver melhor, pois entendeu que tem coisas que não estão no campo das palavras. 

    O resumo de tudo isso está em buscar dentro de si, através da meditação, da criatividade e das artes o caminho para a restauração do próprio eu.

    “A grande tarefa diante de nós consiste em aprender a compreender à nossa volta e dentro de nós exatamente o que deve viver e o que deve morrer"                                                                                                                                                                                                                                                                                                

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    O clube do livro Maringá, nasceu de um storys no instagram da maravilhosa Carolina Rinaldi, Caru para os íntimos, marcando algumas de nós e propondo um clube do livro das amigas do colégio, mais do que na hora topamos. 

    Eu, Caru, Karol, Maria e Gi sempre tivemos muito amor pelos livros, cada uma com um estilo de leitura diferente e é isso que esta me deixando mais empolgada com esse clube, sair da zona de conforto e o convite esta aberto para você sair da sua também! 

    Todos os meses vamos escolher um livro para a leitura conjunta e vamos colocar todas as informações no nosso instagram, para acompanhar clica aqui.

    As reuniões vão ser on-line utilizando a plataforma zoom (vamos disponibilizar o link lá no instagram), para participar é só acessar o link no dia da reunião. 

    Além das reuniões e do livro do mês, utilizamos o instagram para dividir algumas leituras com vocês! 

    Vou deixar nesse post o livro do mês já definidos, para mais informações acompanhe nosso perfil no instagram! 

    Agosto 2020 - Fahrenheit 451 

    Setembro 2020 - Clube da luta 

    Outubro 2020 -  A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas 

    Novembro/Dezembro 2020 - Precisamos falar sobre Kevin

    Janeiro 2021 - A cor púrpura 

    Fevereiro 2021 - O retrato de Dorian Gray  

    Março 2021 - Torto arado 

    Abril 2021 - O médico e monstro 

    Maio 2021 - A filha Perdida 

    Junho 2021 - A peste 



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    Fahrenheit 451 é uma distopia escrita por Ray Bradbury 1953, que ganhou uma nova edição em 2012. Eu ganhei o livro de aniversário no ano passado e terminei ele em novembro, foi um livro que me deixou com a cabeça explodindo. Foi com ele inclusive que eu aprendi o que é uma distopia, mesmo já tendo lido algumas,se você ainda não sabe o que é uma distopia clique aqui.

    Ele foi o primeiro livro escolhido pelo Clube do Livro Maringá, um clube que eu e algumas amigas montamos para trocarmos experiências de leitura e manter o hábito ativo! 

    Aproveita que o livro esta na promoção, para comprar clique aqui!

    Sinopse

    Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos por um governo totalitário que reprime os cidadãos censurando qualquer forma de pensamento crítico e autônomo, incentivando a alienação. 

    E como isso funciona? Se você tem livros na sua casa e seu vizinho desconfia disso, ele ligar para quem? Para os bombeiros. A função dos bombeiros agora é outra, ao invés de apagar incêndios eles agora ateiam fogo nas bibliotecas clandestinas para manter a ordem social.

    Nesta sociedade a população é cada vez mais alienada as casas são dotadas de televisões que ocupam paredes inteiras e programas de televisão interativos onde você pode dialogar com as famílias, como se fosse um the sims ou o realty The circle, você é um dos personagens e como não existem conflitos nessa sociedade, muitas pessoas vivem para o programa.

    É neste cenário que vive Guy Montag, um bombeiro tradicional, que segue a profissão, porque foi a de seu pai e de seu avô, mas que depois de algumas situações começa a repensar o sistema em que trabalha. 

    Acontecimentos que fazem o Montag repensar o sistema


    A primeira coisa que acontece é que ao chegar em casa ele encontra sua esposa, Mildred, desmaiada porque tomou muitas pilulas para dormir (como o rivoltril dos dias de hoje) ele preocupado chama os paramédicos, que atendem ela e ela acorda no dia seguinte pleníssima, sem lembrar de nada, preocupada apenas em assistir o programa interativo nas tvs da sala e comprar mais algumas para ficar igual a da sua vizinha. 

    Outra situação que o faz começar a perceber o quão rasa e vazia é sua vida, é conhecer sua vizinha Clarisse, uma adolescente problemática, problemática para a sociedade, afinal ela questionava os padrões, gostava de observar a natureza e os comportamentos e nessa sociedade imaginada pelo Ray Bradbury, isso era perigoso. Quando ela conhece Guy ela não fala sobre a televisão ou apenas pelo seu trabalho, ela pergunta como ele esta e realmente o escuta, e ele começa a refletir que ela é a unica que faz isso. 

    Outra situação que o leva a mudar de lado é um chamado que o corpo de bombeiros recebe sobre uma biblioteca clandestina na casa de uma senhora e ela se recusa a sair da casa e morre em quanto os seus livros são queimados, ele reflete porque ela esta morrendo por seus livros? O que eles trazem de tão bom que valha a pena morrer por isso? 

    A partir disso ele muda de lado e começa a querer saber mais sobre os livros.

    Simbologia 

    Antes de entrar nas minhas impressões, queria dividir uma curiosidade que achei muito genial o titulo do livro, 451 graus Fahrenheit (232,78°C) é a temperatura necessária para que um papel se queime, fala sério se o autor não foi um gênio?

    Contexto histórico 

    Fahrenheit 451 foi escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, o autor viveu a censura feita pelo estado nazista e em uma época em que a comunicação em massa estava crescendo. 

    Sobre o autor


    Ray Douglas Bradbury foi um escritor americano, seus gêneros principais foram ficção-científica e fantasia.

    Fahrenheit 451 é a sua obra mais conhecida, algumas outras são Crônicas Marcianas (1950) e The Illustrated Man (1951).

    Os primeiros rascunhos e manuscritos de contos e estórias desenvolvidas pelo autor datam de 1931, quando este tinha cerca de onze anos de idade, acho tão incrível quando eles tem esse dom maravilhoso desde pequenos. 



    Minhas impressões

    Como eu falei foi um livro que me deixou com a cabeça explodindo em vários trechos. Selecionei alguns para falar mais sobre aqui. 

    Primeira coisa que me chamou muito a atenção foi sobre a descrição da tecnologia das televisões e fones de ouvido, que na minha opinião se aproxima muito do que existe hoje e no alerta da dependência da tecnologia. As interações feitas nessa sociedade em grande parte são com a família da televisão, não acontecem muitos diálogos entre as pessoas, de certa forma podemos relacionar com as redes sociais, onde muitas vezes conversamos durante o dia todo com várias pessoas, mas com quem esta ao nosso lado trocamos pouquíssimas palavras.

    Outro ponto que me chamou muito a atenção foi como os livros foram proibidos, porque eu imaginava que havia sido um golpe de estado, mas em uma conversa entre o Montag e seu chefe (para mim a melhor parte do livro) o Capitão explica que essa medida partiu da população, de que forma? 

    Primeiro pela falta de interesse, em uma sociedade onde o tempo de atenção era cada vez menor, livros se transformaram em peças, filmes, as histórias precisavam ser cada vez mais curtas. 

    "Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de radio de quinze minutos, depois reduzidos novamente para uma coluna de livros de dois minutos de leitura, e, por fim encerrando-se em um dicionario, num verbete de doze linhas"

    O quanto disso não vemos nos dias de hoje? Pessoas que acham estranho quem prefere o livro ao filme ou a série, pessoas que não cultivam o hábito da leitura? Ou ainda, as pessoas que leem apenas a manchete e saem disseminando fake news? 

    Um outro trecho do livro que mostra um pouco do que vivemos hoje, o imediatismo, a falta de interesse em aprender algo fora da caixa, afinal aprender demanda tempo e tempo é artigo de luxo.

    “a escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?"

    Mas a revelação na minha opinião mais chocante é que as pessoas do mundo criado por Ray Bradbury abriram mão de se expressar e ser pensar diferente para evitar conflitos. 

    "Quanto maior a população, mais minorias. Não pise no pé dos amigos dos cães, dos amigos dos gatos, dos médicos, advogados, comerciantes, patrões, mórmons.... Lembre-se Montag, quanto maior o seu mercado, menos você controla a controvérsia! Todas as menores das menores minorias querem ver seus próprios umbigos, bem limpos" 

    "Autores cheios de maus pensamentos, tranquem suas máquinas de escrever! Eles o fizeram. As revistas se tornaram uma mistura insossa. Os livros, assim diziam os malditos críticos esnobes, eram água de louça suja. Não admira que parassem de ser vendidos, disseram os críticos. Mas o público, sabendo o que queria, com a cabeça no ar, deixou que as histórias em quadrinhos sobrevivessem. E as revistas de sexo em 3-D, é claro. Aí está, Montag. A coisa não veio do governo. Não houve nenhum decreto, nenhuma declaração, nenhuma censura como ponto de partida. Não! A tecnologia, a exploração das massas e a pressão das minorias realizaram a façanha, graças a Deus. Hoje, graças a elas, você pode ficar o tempo todo feliz, você pode ler quadrinhos, as boas e velhas confissões ou os periódicos profissionais”

    “Você precisa entender que nossa civilização é tão vasta e agitada que não podemos permitir que nossas minorias sejam transtornadas e agitadas. Pergunte a si mesmo: O que queremos neste país, acima de tudo? As pessoas querem ser felizes, não é certo? Não foi o que você ouviu durante toda a vida? Eu quero ser feliz, é o que diz todo mundo. Bem, elas não o são? Não cuidamos para que sempre estejam em movimento, sempre se divertindo? É para isso que vivemos, não acha? Para o prazer, a excitação? E você tem de admitir que nossa cultura fornece as duas coisas em profusão”

    “Os negros não gostam de Little Black Sambo. Queime-o. Os brancos não se sentem bem em relação à Cabana do pai Tomás. Queime-o. Alguém escreveu um livro sobre o fumo e o câncer de pulmão? As pessoas que fumam lamentam? Queimemos o livro. Serenidade, Montag. Paz, Montag. Leve sua briga lá para fora. Melhor ainda, para o incinerador. Os enterros são tristes e pagãos? Elimine-os também. Cinco minutos depois que uma pessoa morre, ela está a caminho do Grande Crematório, os incineradores atendidos por helicópteros em todo o país. Dez minutos depois da morte, um homem é um grão de poeira negra. Não vamos ficar arengando os in memorian para os indivíduos. Esqueça-os. Queime tudo, queime tudo. O fogo é luminoso e o fogo é limpo”

    A primeira coisa que me vem na cabeça lendo esses trechos é a cultura do cancelamento que estamos vivendo hoje em dia, parece que na cabeça das pessoas que cancelam as outras se passa o seguinte ponto "tudo que é contrário a minha bolha ou ao que eu concordo? Não presta e não deveria existir" mas quem determina qual é o julgamento correto ou não? 

    Espero que no nosso caso ao invés de jogar fogo ou cancelar o que não concordamos, tomemos a atitude de dar espaço a conversas respeitosas, trocas de experiências e a valorização do senso crítico, pois só assim poderemos evoluir como sociedade. 

    Um vídeo muito legal que fala sobre isso é o "How Fahrenheit 451 Predicted Fake News – How Did We Get Here?" para assistir clique aqui, ele esta em inglês. 

    Se você já leu o livro me conta o que achou! Se não leu, aproveita esse material de apoio com curiosidades, pontos principais e espaço para anotações, que foi elaborado pelo Clube do livro Maringá!  



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    Você sabe o que é uma distopia?

    Se não sabe, calma que eu te explico, eu descobri esse termo ano passado, apesar de já ter lido algumas! 

    Distopia é uma "utopia negativa" e são frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo.

    Normalmente na literatura representam lugares ou épocas sob condições de extrema opressão, desespero ou privação, que pode ser causada por um governo opressivo ou por uma anarquia, por condições econômicas, ambientais ou diferentes extremos.

    Por mais que sejam uma forma de ficção e entretenimento são ótimos livros para despertar reflexões e senso crítico no leitor!

    Distopias literárias:


             

    Distopias na Tv: 



    Não poderia deixar de citar Black Mirror, que também é uma série distópica, que em cada episódio mostra uma situação onde a presença da tecnologia saiu do controle. 



    Handmaid's tale ou o Conto de Aia, é uma série baseada no livro escrito em 1985 da escritora Margaret Atwood, uma distopia futurista em que acontece um golpe terrorista nos Estados Unidos, assassinando o presidente e grande parte do congresso, após o ataque quem assume o controle é um movimento cristão/militar que retira todos os direitos das mulheres. 

    Eu comecei a série esse final de semana e ainda estou na primeira temporada, atualmente existem 3 temporadas disponíveis e aqui no Brasil é possível assistir pelo globo Play. 

    Gostei bastante, o clima de mistério e angustia para querer saber o que acontece com os personagens principais faz a série propícia para maratonar. 

    Eu amei os livros que inspiraram a série, se você quiser saber a minha opinião e as principais diferenças é só clicar aqui.

    Eu gosto bastante desse gênero, inclusive o primeiro livro do Clube do livro Maringá vai ser o Fahrenheit 451, em breve vou fazer um post sobre ele e sobre o clube! 

    E você? Gosta desse gênero? Me conta nos comentários!

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