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Natália Picoli

Leituras, viagens e morar bem

    • Lidos em 2023
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    A filha perdida da Elena Ferrante foi o livro do Clube do livro Maringa do mês passado, infelizmente não pude participar da reunião mas fiquei sabendo que foi ótima!

    A filha perdida conta a história de Leda, uma professora universitária de meia-idade que decide tirar férias após suas filhas já crescidas irem morar com o pai no Canadá.

    Na praia ela começa a observar a dinâmica de uma mãe e uma criança e começa a se lembrar sobre essa fase com suas próprias filhas.


    É um livro bem rápido de ler e que trás muitas reflexões sobre a maternidade, mas aquelas que nem todo mundo comenta sabe? Como depressão pós parto, se você tem realmente vontade de ser mãe, a relação mãe e filha na infância e adolescência e tudo o que é preciso abrir mão para se tornar mãe. 


    Confesso que tive um pouco de dificuldade de me colocar no lugar da personagem por ainda não ser mãe, achei ela um pouco problemática e com a necessidade urgente de terapia (todos nós precisamos se olharmos bem pertinho) por isso queria a opinião de alguém com filhos sobre o livro! 

    É um livro rápido e envolvente de ler, porém se você ainda não é mãe como eu, pode ter dificuldades de se conectar! Ficou interessada? Clica aqui e garante o seu livro!


    Se você já leu, me conta o que você achou!

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     O livro a Cor púrpura foi o livro de janeiro do clube do livro Maringá e devorei ele em 1 semana. Apesar da leitura rápida, não é um livro com um ritmo de acontecimentos rápido, pelo contrário, acontecem poucas coisas ao passar das páginas. 

    O livro é um romance epistolar, se você ainda não sabe o que isso significa clique aqui. 

    Ele foi publicado em 1982 e no ano seguinte ganhou o prêmio Pulitzer e depois ganhou uma adaptação para o cinema em 1985 (é possível assistir pela GloboPlay), caso você ainda não tenha ouvido falar do livro vamos a sinopse da editora:

    A cor púrpura retrata a dura vida de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos da primeira metade do século XX. Pobre e praticamente analfabeta, Celie foi abusada, física e psicologicamente, desde a infância pelo padrasto e depois pelo marido. Um universo delicado, no entanto, é construído a partir das cartas que Celie escreve e das experiências de amizade e amor, sobretudo com a inesquecível Shug Avery. Apesar da dramaticidade de seu enredo, A cor púrpura se mostra extremamente atual e nos faz refletir sobre as relações de amor, ódio e poder, em uma sociedade ainda marcada pelas desigualdades de gêneros, etnias e classes sociais.
    Por se tratar de um romance epistolar acompanhamos o enredo através de cartas de Celie para Deus e depois para sua irmã Nettie, a autora para trazer veracidade escreve essa cartas em um inglês caipira e errado, o que deve ter sido um ponto difícil na tradução do livro, traduzir para um português igualmente errado, nem perder a essência. No começo é um pouco difícil se acostumar com os erros, mas depois flui bem.

    Na trajetória da Celie nós acompanhamos todos os seus abusos, acompanhamos uma pessoa anestesiada e que só conhece aquela realidade, e que por isso, não enxerga outra saída a não ser ser submissa e aceitar o que a vida mandar. 

    Até que ela conhece novas pessoas que influenciam seu jeito de encarar a vida e as situações. É um livro que fala muito sobre amadurecimento, sobre encontrar nosso lugar. 

    O livro fala também sobre racismo e ancestralidade, o que faz o leitor refletir muito.

    Apesar de não ser uma leitura levinha ou muito dinâmica, é um livro muito bonito e sensível que te levar a refletir sobre muita coisa, até mesmo sobre fé.

    Para comprar o livro é só clicar aqui.

    Sobre a autora:

    Alice Walker é uma autora americana que ganhou maior visibilidade com o prêmio Pulitzer pelo livro A cor púrpura. Sua obra busca examinar e entender o passado e as mazelas da comunidade negra norte-americana. 


    Outros livros da autora: 

    Romances e contos

    A terceira vida de Grange Copeland (1970)
    Everyday Use (1973)
    In Love and Trouble: Stories of Black Women (1973)
    Meridian (1976)
    You Can't Keep a Good Woman Down: Stories (1982)
    Beauty: When the Other Dancer Is the Self (1983)
    To Hell With Dying (1988)
    The Temple of My Familiar (1989)
    Finding the Green Stone (1991)
    Possessing the Secret of Joy (1992)
    The Complete Stories (1994)
    By The Light of My Father's Smile (1998)
    The Way Forward Is with a Broken Heart (2000)
    Now Is The Time to Open Your Heart (2005)

    Poesia

    Once (1968)
    Revolutionary Petunias & Other Poems (1973)
    Good Night, Willie Lee, I'll See You in the Morning (1979)
    Horses Make a Landscape Look More Beautiful (1985)
    Her Blue Body Everything We Know: Earthling Poems (1991)
    Absolute Trust in the Goodness of the Earth (2003)
    A Poem Traveled Down My Arm: Poems And Drawings (2003)
    Collected Poems (2005)

    Não-ficção

    In Search of Our Mothers' Gardens: Womanist Prose (1983)
    Living by the Word (1988)
    Warrior Marks (1993)
    The Same River Twice: Honoring the Difficult (1996)
    Anything We Love Can Be Saved: A Writer's Activism (1997)
    Go Girl!: The Black Woman's Book of Travel and Adventure (1997)
    Pema Chodron and Alice Walker in Conversation (1999)
    Sent By Earth: A Message from the Grandmother Spirit After the Bombing of the World Trade Center and Pentagon (2001)
    Women
    We Are the Ones We Have Been Waiting For (2006)
    Mississippi Winter IV

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    O que é um romance epistolar? 


    Romance epistolar é aquele em que o enredo se desenvolve através de cartas, diários, artigos jornalísticos, mensagens de texto (e-mail, sms, etc).

    O termo epistolar, vem do idioma latino, de ‘epistoláris’, e tem o sentido de ‘carta, epístola’. Esse recurso é utilizado para trazer mais veracidade ao enredo. 

    Esse estilo começou a ser utilizado por volta do século XV, com o livro Cárcere de amor, do espanhol Diego de San Pedro, em 1485. Porém ele ficou popular a partir do século XVIII, com uma série de livros de escritores ingleses e franceses.

    Por volta do século XIX, esse tipo de narrativa começou a cair em desuso, mas ainda é utilizado em romances contemporâneos, como Carrie, a estranha, de Stephen King e Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver.

    Eu me deparei com o termo ao final da leitura de A cor púpura de Alice Walker o livro de Janeiro do Clube do livro Maringá, e não sabia o que significava, porém uma das minhas séries favoritas da infância/adolescência foi o Diário da Princesa que é uma série de romances epistolares.  

    Alguns títulos incríveis para conhecer mais sobre o gênero: 

    • A cor púpura - Alice Walker
    • O diário da Princesa - Meg Cabott
    • Precisamos falar sobre Kevin - Lionel Shriver
    • Carrie, a estranha - Stephen King
    • A inquilina de widefell hal - Anne Bronte 
    • Evidence of the affair - Taylor Jenkins Reid (Tem gratuito no Kindle Unlimited)
    • As ligações perigosas - Pierre Choderlos de Laclos 
    • Cartas a um jovem poeta - Rainer Maria Rilke 
    Você gosta desse gênero? Me conta seu livro favorito nos comentários! 

    Outro gênero que é muito interessante é a ficção histórica, você sabe o que é? Se não sabe é só clicar aqui
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    O clube da luta foi o livro de setembro do Clube do Livro Maringá, a discussão final foi ontem e foi incrível! 

    Acho que o senso comum foi: Que livro louco! 

    Se você nunca ouviu falar do livro calma que eu te conto! 
    E, se você está pensando em pular a leitura porque já assistiu ao filme, REPENSE! O final do livro pode te surpreender!

    Eu ainda não vi o filme mas quero muito assistir para comparar as duas obras.

    Sinopse

    Um homem deprimido que sofre de insônia conhece um estranho vendedor chamado Tyler Durden e se vê morando em uma casa suja depois que seu perfeito apartamento é destruído. 

    A dupla forma um clube com regras rígidas onde homens lutam. A parceria perfeita é comprometida quando uma mulher, Marla, atrai a atenção de Tyler.

    Consumismo, solidão e prazeres momentâneos são alguns dos temas abordados durante o romance. 

    Considerado um ícone cult a obra motivou o filme homônimo estrelado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonhan Carter. 

    Sobre o autor 

    Charles Palahniuk é um autor e jornalista norte americano, possui um estilo de escrita caracterizado pelo uso e repetição de frases curtas plenas de humor cínico ou irônico.
    A narrativa nos livros de Palahniuk começam, não raramente, no seu fim cronológico, com o protagonista a recontar os eventos que conduziram ao ponto que forma o princípio do livro. Por bastantes vezes há um plotwist (revelação inesperada) perto do fim da obra.
    O autor tem mais 19 livros de ficção e 3 de não ficção publicados. 

    Minhas percepções sobre o livro

    O estilo do autor com frases, parágrafos e capítulos curtos foi muito interessante para mim, inclusive fiquei admirada com o como ele consegue fazer isso, escrevendo tão pouco e passando tanto significado. Ao mesmo tempo que a descrição é bastante sinestésica ela passa uma impressão de confusão, acredito que no final fica explicito porque. 

    O livro é escrito em primeira pessoa e temos a visão imprecisa de um narrador que sofre de insônia, na discussão do clube do livro várias pessoas disseram que conseguiram sacar o plotwist antes dele acontecer, eu sinceramente fiquei chocada e não imaginava isso acontecendo. 

    O livro contém poucas personagens femininas, pelo que contamos apenas 2, durante o debate sobre o livro, entendemos que talvez isso represente algum trauma do narrador, pois em algumas partes ele fala com desprezo sobre as mulheres e sobre a "geração de homens criados por mulheres" dando a entender que esses homens eram problemáticos por conta disso.

    É um livro rápido de ler, o estilo do autor faz com que a leitura te prenda e flua, o plot twist é muuuuuuito bom e o final diferente do filme faz com quem já viu o longa metragem tenha um motivo para a leitura. 

    Curiosidades 

    O livro começou como um conto que o autor escreveu em uma tarde de trabalho em um dia em que ele estava com o olho roxo de uma briga que havia tido nas férias, ele vendeu esse conto. Para aumenta-lo até chegar em uma história, começou a adicionar histórias contadas pelos seus amigos. 

    Em 2016 e 2019 o autor lançou uma Graphic Novel como continuação o Clube da Luta 2 e 3, 10 anos depois do final do primeiro livro, temos o narrador (descobrimos seu nome: Sebastian) e Marla, agora sua esposa, eles têm um filho de 9 anos e uma rotina enfadonha e careta, o que faz Tyler se agitar no subconsciente de Sebastian, não sou muito de graphic novels mas fiquei com vontade de saber o final dessa história! 

    No posfácio o autor explica que várias pessoas foram perguntar onde ele teve a ideia do clube da luta e tudo mais e ele responde com uma frase que me marcou bastante "Não há nada que um zé ninguém do Oregon com uma educação de escola pública possa imaginar que um bilhão de pessoas já não tenha feito"

    Ainda no posfácio outra coisa que me chamou atenção foram alguns comentários que ele disse receber da audiência e do publico, "porque não há um clube da luta feminino e outros tipos de clube da luta?" esse tipo de questionamento me lembrou o posfácio de Fahrenheit 451.

    Esse livro esta de graça no kindle unlimited, mas caso você queira comprar a edição física é só clicar aqui.






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    O clube do livro Maringá, nasceu de um storys no instagram da maravilhosa Carolina Rinaldi, Caru para os íntimos, marcando algumas de nós e propondo um clube do livro das amigas do colégio, mais do que na hora topamos. 

    Eu, Caru, Karol, Maria e Gi sempre tivemos muito amor pelos livros, cada uma com um estilo de leitura diferente e é isso que esta me deixando mais empolgada com esse clube, sair da zona de conforto e o convite esta aberto para você sair da sua também! 

    Todos os meses vamos escolher um livro para a leitura conjunta e vamos colocar todas as informações no nosso instagram, para acompanhar clica aqui.

    As reuniões vão ser on-line utilizando a plataforma zoom (vamos disponibilizar o link lá no instagram), para participar é só acessar o link no dia da reunião. 

    Além das reuniões e do livro do mês, utilizamos o instagram para dividir algumas leituras com vocês! 

    Vou deixar nesse post o livro do mês já definidos, para mais informações acompanhe nosso perfil no instagram! 

    Agosto 2020 - Fahrenheit 451 

    Setembro 2020 - Clube da luta 

    Outubro 2020 -  A mãe da mãe de sua mãe e suas filhas 

    Novembro/Dezembro 2020 - Precisamos falar sobre Kevin

    Janeiro 2021 - A cor púrpura 

    Fevereiro 2021 - O retrato de Dorian Gray  

    Março 2021 - Torto arado 

    Abril 2021 - O médico e monstro 

    Maio 2021 - A filha Perdida 

    Junho 2021 - A peste 



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    Fahrenheit 451 é uma distopia escrita por Ray Bradbury 1953, que ganhou uma nova edição em 2012. Eu ganhei o livro de aniversário no ano passado e terminei ele em novembro, foi um livro que me deixou com a cabeça explodindo. Foi com ele inclusive que eu aprendi o que é uma distopia, mesmo já tendo lido algumas,se você ainda não sabe o que é uma distopia clique aqui.

    Ele foi o primeiro livro escolhido pelo Clube do Livro Maringá, um clube que eu e algumas amigas montamos para trocarmos experiências de leitura e manter o hábito ativo! 

    Aproveita que o livro esta na promoção, para comprar clique aqui!

    Sinopse

    Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos por um governo totalitário que reprime os cidadãos censurando qualquer forma de pensamento crítico e autônomo, incentivando a alienação. 

    E como isso funciona? Se você tem livros na sua casa e seu vizinho desconfia disso, ele ligar para quem? Para os bombeiros. A função dos bombeiros agora é outra, ao invés de apagar incêndios eles agora ateiam fogo nas bibliotecas clandestinas para manter a ordem social.

    Nesta sociedade a população é cada vez mais alienada as casas são dotadas de televisões que ocupam paredes inteiras e programas de televisão interativos onde você pode dialogar com as famílias, como se fosse um the sims ou o realty The circle, você é um dos personagens e como não existem conflitos nessa sociedade, muitas pessoas vivem para o programa.

    É neste cenário que vive Guy Montag, um bombeiro tradicional, que segue a profissão, porque foi a de seu pai e de seu avô, mas que depois de algumas situações começa a repensar o sistema em que trabalha. 

    Acontecimentos que fazem o Montag repensar o sistema


    A primeira coisa que acontece é que ao chegar em casa ele encontra sua esposa, Mildred, desmaiada porque tomou muitas pilulas para dormir (como o rivoltril dos dias de hoje) ele preocupado chama os paramédicos, que atendem ela e ela acorda no dia seguinte pleníssima, sem lembrar de nada, preocupada apenas em assistir o programa interativo nas tvs da sala e comprar mais algumas para ficar igual a da sua vizinha. 

    Outra situação que o faz começar a perceber o quão rasa e vazia é sua vida, é conhecer sua vizinha Clarisse, uma adolescente problemática, problemática para a sociedade, afinal ela questionava os padrões, gostava de observar a natureza e os comportamentos e nessa sociedade imaginada pelo Ray Bradbury, isso era perigoso. Quando ela conhece Guy ela não fala sobre a televisão ou apenas pelo seu trabalho, ela pergunta como ele esta e realmente o escuta, e ele começa a refletir que ela é a unica que faz isso. 

    Outra situação que o leva a mudar de lado é um chamado que o corpo de bombeiros recebe sobre uma biblioteca clandestina na casa de uma senhora e ela se recusa a sair da casa e morre em quanto os seus livros são queimados, ele reflete porque ela esta morrendo por seus livros? O que eles trazem de tão bom que valha a pena morrer por isso? 

    A partir disso ele muda de lado e começa a querer saber mais sobre os livros.

    Simbologia 

    Antes de entrar nas minhas impressões, queria dividir uma curiosidade que achei muito genial o titulo do livro, 451 graus Fahrenheit (232,78°C) é a temperatura necessária para que um papel se queime, fala sério se o autor não foi um gênio?

    Contexto histórico 

    Fahrenheit 451 foi escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, o autor viveu a censura feita pelo estado nazista e em uma época em que a comunicação em massa estava crescendo. 

    Sobre o autor


    Ray Douglas Bradbury foi um escritor americano, seus gêneros principais foram ficção-científica e fantasia.

    Fahrenheit 451 é a sua obra mais conhecida, algumas outras são Crônicas Marcianas (1950) e The Illustrated Man (1951).

    Os primeiros rascunhos e manuscritos de contos e estórias desenvolvidas pelo autor datam de 1931, quando este tinha cerca de onze anos de idade, acho tão incrível quando eles tem esse dom maravilhoso desde pequenos. 



    Minhas impressões

    Como eu falei foi um livro que me deixou com a cabeça explodindo em vários trechos. Selecionei alguns para falar mais sobre aqui. 

    Primeira coisa que me chamou muito a atenção foi sobre a descrição da tecnologia das televisões e fones de ouvido, que na minha opinião se aproxima muito do que existe hoje e no alerta da dependência da tecnologia. As interações feitas nessa sociedade em grande parte são com a família da televisão, não acontecem muitos diálogos entre as pessoas, de certa forma podemos relacionar com as redes sociais, onde muitas vezes conversamos durante o dia todo com várias pessoas, mas com quem esta ao nosso lado trocamos pouquíssimas palavras.

    Outro ponto que me chamou muito a atenção foi como os livros foram proibidos, porque eu imaginava que havia sido um golpe de estado, mas em uma conversa entre o Montag e seu chefe (para mim a melhor parte do livro) o Capitão explica que essa medida partiu da população, de que forma? 

    Primeiro pela falta de interesse, em uma sociedade onde o tempo de atenção era cada vez menor, livros se transformaram em peças, filmes, as histórias precisavam ser cada vez mais curtas. 

    "Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de radio de quinze minutos, depois reduzidos novamente para uma coluna de livros de dois minutos de leitura, e, por fim encerrando-se em um dicionario, num verbete de doze linhas"

    O quanto disso não vemos nos dias de hoje? Pessoas que acham estranho quem prefere o livro ao filme ou a série, pessoas que não cultivam o hábito da leitura? Ou ainda, as pessoas que leem apenas a manchete e saem disseminando fake news? 

    Um outro trecho do livro que mostra um pouco do que vivemos hoje, o imediatismo, a falta de interesse em aprender algo fora da caixa, afinal aprender demanda tempo e tempo é artigo de luxo.

    “a escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?"

    Mas a revelação na minha opinião mais chocante é que as pessoas do mundo criado por Ray Bradbury abriram mão de se expressar e ser pensar diferente para evitar conflitos. 

    "Quanto maior a população, mais minorias. Não pise no pé dos amigos dos cães, dos amigos dos gatos, dos médicos, advogados, comerciantes, patrões, mórmons.... Lembre-se Montag, quanto maior o seu mercado, menos você controla a controvérsia! Todas as menores das menores minorias querem ver seus próprios umbigos, bem limpos" 

    "Autores cheios de maus pensamentos, tranquem suas máquinas de escrever! Eles o fizeram. As revistas se tornaram uma mistura insossa. Os livros, assim diziam os malditos críticos esnobes, eram água de louça suja. Não admira que parassem de ser vendidos, disseram os críticos. Mas o público, sabendo o que queria, com a cabeça no ar, deixou que as histórias em quadrinhos sobrevivessem. E as revistas de sexo em 3-D, é claro. Aí está, Montag. A coisa não veio do governo. Não houve nenhum decreto, nenhuma declaração, nenhuma censura como ponto de partida. Não! A tecnologia, a exploração das massas e a pressão das minorias realizaram a façanha, graças a Deus. Hoje, graças a elas, você pode ficar o tempo todo feliz, você pode ler quadrinhos, as boas e velhas confissões ou os periódicos profissionais”

    “Você precisa entender que nossa civilização é tão vasta e agitada que não podemos permitir que nossas minorias sejam transtornadas e agitadas. Pergunte a si mesmo: O que queremos neste país, acima de tudo? As pessoas querem ser felizes, não é certo? Não foi o que você ouviu durante toda a vida? Eu quero ser feliz, é o que diz todo mundo. Bem, elas não o são? Não cuidamos para que sempre estejam em movimento, sempre se divertindo? É para isso que vivemos, não acha? Para o prazer, a excitação? E você tem de admitir que nossa cultura fornece as duas coisas em profusão”

    “Os negros não gostam de Little Black Sambo. Queime-o. Os brancos não se sentem bem em relação à Cabana do pai Tomás. Queime-o. Alguém escreveu um livro sobre o fumo e o câncer de pulmão? As pessoas que fumam lamentam? Queimemos o livro. Serenidade, Montag. Paz, Montag. Leve sua briga lá para fora. Melhor ainda, para o incinerador. Os enterros são tristes e pagãos? Elimine-os também. Cinco minutos depois que uma pessoa morre, ela está a caminho do Grande Crematório, os incineradores atendidos por helicópteros em todo o país. Dez minutos depois da morte, um homem é um grão de poeira negra. Não vamos ficar arengando os in memorian para os indivíduos. Esqueça-os. Queime tudo, queime tudo. O fogo é luminoso e o fogo é limpo”

    A primeira coisa que me vem na cabeça lendo esses trechos é a cultura do cancelamento que estamos vivendo hoje em dia, parece que na cabeça das pessoas que cancelam as outras se passa o seguinte ponto "tudo que é contrário a minha bolha ou ao que eu concordo? Não presta e não deveria existir" mas quem determina qual é o julgamento correto ou não? 

    Espero que no nosso caso ao invés de jogar fogo ou cancelar o que não concordamos, tomemos a atitude de dar espaço a conversas respeitosas, trocas de experiências e a valorização do senso crítico, pois só assim poderemos evoluir como sociedade. 

    Um vídeo muito legal que fala sobre isso é o "How Fahrenheit 451 Predicted Fake News – How Did We Get Here?" para assistir clique aqui, ele esta em inglês. 

    Se você já leu o livro me conta o que achou! Se não leu, aproveita esse material de apoio com curiosidades, pontos principais e espaço para anotações, que foi elaborado pelo Clube do livro Maringá!  



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