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Natália Picoli

Leituras, viagens e morar bem

    • Lidos em 2023
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    Os testamentos é a continuação do conto de aia! Sabe aquele tipo de leitura instigante que faz você querer passar o dia inteiro lendo? Esse é definitivamente um deles! Li em uma semana e se tivesse tido mais tempo livre teria terminado antes! 

    Ele foi escrito depois de 35 anos do primeiro livro com o objetivo de trazer respostas aos fãs da distopia O conto de aia (Se você ainda não conhece clica aqui)

    A história é contatada por 3 narradoras: uma filha de comandante criada em Gilead, uma adolescente canadense e uma Tia poderosa. A maior parte do enredo tem como pano de fundo a Gilead que conhecemos mas com um enfoque maior em como as mulheres se tornavam tias no começo e durante o regime e como era a dinâmica das famílias bem privilegiadas e das crianças que cresceram no regime. 


    Diferente do primeiro livro a leitura é cheia de diálogos e dinâmica desde o começo, oscilando entre as narradoras e parando em pontos de climax de cada narrativa, o que na minha opinião acelera o ritmo de leitura!

    Eu adorei a leitura e super indico! Já leu? Me conta o que você achou!


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    Imagine uma realidade onde você mulher, não pode ler a menos que queira perder um dedo, não pode escrever, a menos que queira perder uma mão e o máximo de trabalho será bordar e cuidar do jardim, se você for bem nascida, ou casada. Da uma certa gastura né? Parece coisa de viagem no tempo, porém no Conto de Aia esta mais para viagem ao futuro. 

    Para quem não conhece o universo da distopia que inspirou a renomada série de streaming The Handmaid's Tale, a história se passa em uma linha do tempo fictícia  mais ou menos nos anos 80, na república de Gilead, localizada nos Estados Unidos, após um golpe em que o presidente e o congresso foram assassinados. 

    Se você não sabe o que é distopia clique aqui!

    Nesse golpe todos os direitos das mulheres como trabalhar, propriedade privada e até mesmo ler foram retirados e elas passaram a ser divididas entre esposas (Casadas com homens do alto escalão), econoesposas (casadas com homens de cargos mais baixos), marthas, aias (barrigas de aluguel compulsórias) e não mulheres. 

    O estopim que origina esse golpe é uma crise na fertilidade feminina somadas a defesa do aborto e controles de natalidade. Segundo essa nova republica a crise de fertilidade era um castigo divino, por conta dos comportamentos frívolos da humanidade e algo precisava ser feito. Por isso pensaram em um esquema brilhante, as Aias, barrigas de aluguel compulsórias para famílias de alto escalão, porém fertilização artificial também era pecado, então para ela engravidar rolava toda uma cerimônia para consumar o ato entre os pais e a Aia.

    A história é contata através de fluxos de pensamentos de Offred (Of Fred = Do Fred) uma aia, de um comandante importante desse novo regime, os fluxos de pensamento começam ainda nos tempos "normais" até o seu dia a dia em Gilead sem direitos e objetivos.

    Comparando o livro com a série achei o livro mais "pesado" acho que estar dentro da cabeça da personagem faz o senso de empatia ficar mais forte. 

    A leitura em fluxo de pensamentos dificultou eu me apegar a história no começo, mas lá pela página 100 eu consegui pegar o jeito e ai o enredo fluiu, inclusive AMEI o final, mesmo já tendo assistido todas as temporadas já lançadas fiquei surpresa! 

    Se você achou interessante e já quer ler, clique aqui para comprar na Amazon com um preço super legal!

    Diferenças do livro e da série: CONTÉM SPOLIERS 

    Eu amo saber diferenças entre as adaptações, então se você é do meu time continue lendo, se você não for leia o livro e me conta o que você achou! <3 

    Diferença 1: Serena Joy e o comandante são bem mais velhos do que Offred. Serena era famosa na época em que Offred era criança, ela lembrava dos discursos fanáticos dela na televisão. Eu acredito que faz muito mais sentido eles serem mais velhos e não entendi o porque mudaram isso na série. 
    Bônus: O nome de Serena na verdade era Pam, Serena Joy era um nome artístico.

    Diferença 2: Moira além de chegar depois de Offred no centro vermelho escapa sem ajuda, além disso no primeiro volume fica claro que até onde sabemos ela não escapou da casa de Jesebel, o que pode mudar em os testamentos. 

    Diferença 3: Offred não gosta de Janine e pelo que eu entendi ela possui 2 olhos até o final do livro. 

    Diferença 4: Não sabemos o verdadeiro nome de Offred, na série sabemos que ela se chama June. 

    A descrição dos personagens também é bem diferente do elenco escolhido, porém eu amei tanto o elenco que não consegui deixar de ser influenciada pela adaptação neste ponto. 

    E você já viu o livro ou viu a série? O que achou? 
    Se tiver alguma diferença que eu deixei passar me conta nos comentários! 
    Espero que tenham gostado, em breve volto para falar sobre Os testamentos. 

    Continuar lendo



    1984 é uma distopia escrita por George Orwell em 1949 e um dos inspiradores do reality show Big Brother, quer saber porque? Leia essa resenha para descobrir! 

    Eu fiz a leitura coletiva do livro em setembro no clube leitura orgânica e foi uma experiência muito incrível, porque cada pessoa trouxe sua própria experiência e vivencia de mundo o que ajuda a interpretar melhor essa distopia. 

    Já contei aqui que eu tenho uma teoria de que quem escreve distopia viajou para o futuro e voltou com um alerta e durante a leitura de 1984 podemos observar algumas coisas "atuais" e outras que ainda são um alerta. 

    Sinopse

    Imagine um cenário onde você é observado 24 horas por dia, suas expressões faciais, suas conversas, sua casa, tudo monitorado por teletelas (como se fossem televisões que além de transmitir imagens também nos monitoram) te lembra alguma coisa? Instrumentos que o próprio governo instala nas ruas e nas casas. Eu já estaria ferrada nesse cenário, meu controle de expressão facial é nulo. 

    Nessa realidade o governo controla TUDO, até mesmo a utilização dos elevadores e manutenções dos prédios. 

    Esse é o cenário de 1984, uma realidade pós segunda guerra mundial, que se passa na pista de pouso 1 (antiga Grã-Bretanha). Acompanhamos o romance através do personagem Winston, um homem comum, funcionário público cuja função é reescrever a história de forma a colocar os líderes de um país fictício sob uma luz positiva.

    Winston, contudo, não aceita bem essa realidade, que se disfarça de democracia, e vive questionando a opressão que o Partido e o Grande Irmão exercem sob a sociedade. Ele fica tentando se lembrar de como as coisas eram antes da grande guerra, porém sem sucesso, afinal de contas ele era pequeno e a história já foi reescrita tantas vezes que fica complicado saber o que é real ou não. 

    Contexto histórico 

    1984 assim como Fahrenheit 451 foi escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, o autor viveu a censura feita pelo estado nazista e em uma época em que a comunicação em massa estava crescendo. 
    O livro é considerado um clássico moderno. Ele questiona, de diversas formas e em vários momentos, os excessos delirantes do poder. Além disso, embora tenha sido publicado em 1949, mostra-se muito atual ao tratar de questões atemporais, que atingem todos que o leem, independentemente da idade, sexo, cor ou classe social. É por esses motivos, dentre outros, que “1984” é tido como um livro indispensável para o entendimento da história moderna e é altamente recomendado para empresários, funcionários de diferentes segmentos e universitários de diversos cursos. O livro não é só uma crítica ao totalitarismo, mas também um alerta sobre o nível de submissão dos indivíduos.

    Sobre o autor


    George Orwell (1903-1950) é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, escritor e jornalista inglês, nascido em Motihari, na Índia Britânica, em 1903. 

    Ainda estudante, ele publicou seus primeiros textos no periódico da escola, foi aluno de francês de Aldous Huxley autor de Admirável mundo novo. 

    Em 1922, George Orwell alistou-se na Polícia Imperial da Índia e foi para a Birmânia (hoje Myanmar), onde serviu durante cinco anos, até pedir demissão.

    Entre 1928 e 1929 vagou pela França e Inglaterra e começou a escrever os primeiros rascunhos de sua primeira obra “Sem Eira Nem Beira em Paris e Londres.” que foi publicado em 1933 e contou com a ajuda da brasileira Mabel Lilian Sinclair Fierz.

    O autor era declaradamente simpatizante do socialismo. 
    “Tornei-me pró-socialista mais por desgosto com a maneira como os setores mais pobres dos trabalhadores industriais eram oprimidos e negligenciados do que devido a qualquer admiração teórica por uma sociedade planificada”.
    Em 1944, escreveu que "a palavra 'fascismo" é quase inteiramente sem sentido... quase qualquer inglês aceitaria 'valentão' como sinônimo de 'fascista'", nesse sentido, também descreveu a palavra como algo que já não tem qualquer significado, exceto para significar algo não desejável. 

    Ele participou ainda da Guerra civil espanhola e criticou a atitude comunista em seu livro "Lutando na Espanha".

    Em 1943, engajado nos movimentos socialistas, foi nomeado diretor literário do periódico socialista “Tribune”, para o qual escreveu numerosos artigos e ensaios.

    A admiração literária de George Orwell se consolidou com a publicação de “A Revolução dos Bichos”, uma brilhante fábula satírica inspirada na traição da revolução soviética e seus próprios ideias, uma das publicações mais vendidas no século XX.

    Obras:

    Romances 

    Dias na Birmânia
    A Filha do Reverendo
    Mantenha o Sistema/Moinhos de Vento/A Flor da Inglaterra
    Um Pouco de Ar, Por Favor!
    A Revolução dos Bichos 
    1984

    Baseadas em experiências pessoais

    Na Pior em Paris e Londres 
    A Caminho de Wigan
    Lutando na Espanha


    Minhas impressões

    Esse é um daqueles livros que conseguimos formar diversos paralelos com a realidade atual, embora o autor fosse socialista criou uma obra que critica uma versão extremamente totalitária do socialismo, chegamos a conclusão durante a discussão do clube que ele faz isso como um alerta as coisas que ele acreditava que poderiam desvirtuar o movimento. 

    Separei alguns pontos que me chamaram atenção e queria dividir aqui: 

    Paradoxo sobre os ministérios: 

    O ministério da verdade garantia que a verdade seria aquela que o partido quisesse que fosse, responsável pelas notícias, entretenimento, educação e belas artes. 
    O ministério da paz cuidava dos assuntos da guerra. 
    O ministério do amor cuida de assuntos como tortura. 
    O ministério da Pujança ou Abundância cuida dos assuntos econômicos, mas os itens estavam sempre escassos.

    Fuga da realidade 

    Assim como em Admirável mundo novo existia uma droga, neste caso o Gin que o personagem utilizava para fugir da realidade e entrar em um estado de anestesia. 

    Minutos de ódio

    Em 1984 vivemos um cenário de guerra eterna, afinal segundo o lema do partido: 

    "Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força" 

    Nesses 2 minutos de ódio e depois na semana do ódio, os participantes são incentivados a gritar, atirar objetos e linchar o objeto de ódio: Goldstain o inimigo do partido. 

    Quase um twitter em dia de cancelamento. 

    Nova Fala 

    Uma das agendas do governo é utilizar cada vez menos palavras, uma das metas é diminuir a cada ano o número de palavras do vocabulário da Oceânia, como uma forma de controle da população. 
    "Se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também pode corromper o pensamento."

    Além disso o partido aplicava o conceito de duplipensamento "Pensamento duplo indica a capacidade de ter na mente, ao mesmo tempo, duas opiniões contraditórias e aceitar ambas. 

    Uma outra forma de acabar com a individualidade das pessoas era classificar todos os indivíduos como "camaradas" acabando com a identificação de sexo e todos precisavam vestir um macacão unisex e maquiagem era proibido. 

    Enquanto eu estava lendo o livro recebi um vídeo explicando sobre a linguagem neutra que estão tentando aplicar aqui no Brasil e não pude deixar de fazer um paralelo com esses dois conceitos do livro. 

    Núcleo familiar 

    Assim como em Admirável mundo novo o núcleo familiar não é como conhecemos hoje, porém se em Admirável mundo novo as relações sexuais eram incentivadas, em 1984 elas eram apenas para fins de procriação, afinal essa energia da tensão sexual era um componente para os minutos de ódio e para a guerra infinita. 

    Em 1984 a família ainda existe, as pessoas são estimuladas a gostar dos filhos quase que nos moldes de hoje em dia, porém as crianças eram colocadas contra os pais e aprendiam a espiona-los dentro de casa e a relatar os seus desvios, isso era possível porque a educação estava 100% nas mãos do partido. Nessa parte me lembrei do alerta feito no livro Direitos máximos, deveres mínimos  onde o autor coloca que é muito fácil empregar uma ideologia conveniente ao governo quando é ele quem diz o que será aprendido no curriculo escolar. 

    Teletelas da atualidade 

    Uma das coisas que me incomodou profundamente no começo da leitura foi a sensação de ser observado o tempo todo pelas teletelas, elas inspiraram a criação do reality show Big Brother, onde os participantes são vigiados 24 hrs por dia o tempo todo e até leva o nome do Grande irmão. 

    Porém durante a discussão do clube do livro, notamos que já somos vigiados no nosso dia a dia, pelas redes sociais e gagets que utilizamos o tempo todo, siri, alexa, google nest e diversos outros, monitoram o que acessamos na internet, o que compramos etc. Sim isso trás muitos pontos positivos, mas não pude deixar de ficar com um medinho de uma teoria da conspiração. 

    Para concluir não acho que estamos na sociedade de 1984, estamos conectados com pessoas do mundo todo, temos acesso a informação em tempo real do que acontece em outros locais. Sim, é difícil as vezes discernir o que é verdade e o que é fakenews, mas a lição que eu tirei é que enquanto nós mantermos nossas características que nos tornam humanos e únicos, como relações afetivas, empatia e individualidade, fica difícil chegar a esse cenário. 

    Espero que tenha gostado da analise do livro! Se você já leu o livro me conta o que achou! Se não leu, aproveita e já compra ele aqui



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    Fahrenheit 451 é uma distopia escrita por Ray Bradbury 1953, que ganhou uma nova edição em 2012. Eu ganhei o livro de aniversário no ano passado e terminei ele em novembro, foi um livro que me deixou com a cabeça explodindo. Foi com ele inclusive que eu aprendi o que é uma distopia, mesmo já tendo lido algumas,se você ainda não sabe o que é uma distopia clique aqui.

    Ele foi o primeiro livro escolhido pelo Clube do Livro Maringá, um clube que eu e algumas amigas montamos para trocarmos experiências de leitura e manter o hábito ativo! 

    Aproveita que o livro esta na promoção, para comprar clique aqui!

    Sinopse

    Imagine uma época em que os livros configurem uma ameaça ao sistema, uma sociedade onde eles são proibidos por um governo totalitário que reprime os cidadãos censurando qualquer forma de pensamento crítico e autônomo, incentivando a alienação. 

    E como isso funciona? Se você tem livros na sua casa e seu vizinho desconfia disso, ele ligar para quem? Para os bombeiros. A função dos bombeiros agora é outra, ao invés de apagar incêndios eles agora ateiam fogo nas bibliotecas clandestinas para manter a ordem social.

    Nesta sociedade a população é cada vez mais alienada as casas são dotadas de televisões que ocupam paredes inteiras e programas de televisão interativos onde você pode dialogar com as famílias, como se fosse um the sims ou o realty The circle, você é um dos personagens e como não existem conflitos nessa sociedade, muitas pessoas vivem para o programa.

    É neste cenário que vive Guy Montag, um bombeiro tradicional, que segue a profissão, porque foi a de seu pai e de seu avô, mas que depois de algumas situações começa a repensar o sistema em que trabalha. 

    Acontecimentos que fazem o Montag repensar o sistema


    A primeira coisa que acontece é que ao chegar em casa ele encontra sua esposa, Mildred, desmaiada porque tomou muitas pilulas para dormir (como o rivoltril dos dias de hoje) ele preocupado chama os paramédicos, que atendem ela e ela acorda no dia seguinte pleníssima, sem lembrar de nada, preocupada apenas em assistir o programa interativo nas tvs da sala e comprar mais algumas para ficar igual a da sua vizinha. 

    Outra situação que o faz começar a perceber o quão rasa e vazia é sua vida, é conhecer sua vizinha Clarisse, uma adolescente problemática, problemática para a sociedade, afinal ela questionava os padrões, gostava de observar a natureza e os comportamentos e nessa sociedade imaginada pelo Ray Bradbury, isso era perigoso. Quando ela conhece Guy ela não fala sobre a televisão ou apenas pelo seu trabalho, ela pergunta como ele esta e realmente o escuta, e ele começa a refletir que ela é a unica que faz isso. 

    Outra situação que o leva a mudar de lado é um chamado que o corpo de bombeiros recebe sobre uma biblioteca clandestina na casa de uma senhora e ela se recusa a sair da casa e morre em quanto os seus livros são queimados, ele reflete porque ela esta morrendo por seus livros? O que eles trazem de tão bom que valha a pena morrer por isso? 

    A partir disso ele muda de lado e começa a querer saber mais sobre os livros.

    Simbologia 

    Antes de entrar nas minhas impressões, queria dividir uma curiosidade que achei muito genial o titulo do livro, 451 graus Fahrenheit (232,78°C) é a temperatura necessária para que um papel se queime, fala sério se o autor não foi um gênio?

    Contexto histórico 

    Fahrenheit 451 foi escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1953, o autor viveu a censura feita pelo estado nazista e em uma época em que a comunicação em massa estava crescendo. 

    Sobre o autor


    Ray Douglas Bradbury foi um escritor americano, seus gêneros principais foram ficção-científica e fantasia.

    Fahrenheit 451 é a sua obra mais conhecida, algumas outras são Crônicas Marcianas (1950) e The Illustrated Man (1951).

    Os primeiros rascunhos e manuscritos de contos e estórias desenvolvidas pelo autor datam de 1931, quando este tinha cerca de onze anos de idade, acho tão incrível quando eles tem esse dom maravilhoso desde pequenos. 



    Minhas impressões

    Como eu falei foi um livro que me deixou com a cabeça explodindo em vários trechos. Selecionei alguns para falar mais sobre aqui. 

    Primeira coisa que me chamou muito a atenção foi sobre a descrição da tecnologia das televisões e fones de ouvido, que na minha opinião se aproxima muito do que existe hoje e no alerta da dependência da tecnologia. As interações feitas nessa sociedade em grande parte são com a família da televisão, não acontecem muitos diálogos entre as pessoas, de certa forma podemos relacionar com as redes sociais, onde muitas vezes conversamos durante o dia todo com várias pessoas, mas com quem esta ao nosso lado trocamos pouquíssimas palavras.

    Outro ponto que me chamou muito a atenção foi como os livros foram proibidos, porque eu imaginava que havia sido um golpe de estado, mas em uma conversa entre o Montag e seu chefe (para mim a melhor parte do livro) o Capitão explica que essa medida partiu da população, de que forma? 

    Primeiro pela falta de interesse, em uma sociedade onde o tempo de atenção era cada vez menor, livros se transformaram em peças, filmes, as histórias precisavam ser cada vez mais curtas. 

    "Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de radio de quinze minutos, depois reduzidos novamente para uma coluna de livros de dois minutos de leitura, e, por fim encerrando-se em um dicionario, num verbete de doze linhas"

    O quanto disso não vemos nos dias de hoje? Pessoas que acham estranho quem prefere o livro ao filme ou a série, pessoas que não cultivam o hábito da leitura? Ou ainda, as pessoas que leem apenas a manchete e saem disseminando fake news? 

    Um outro trecho do livro que mostra um pouco do que vivemos hoje, o imediatismo, a falta de interesse em aprender algo fora da caixa, afinal aprender demanda tempo e tempo é artigo de luxo.

    “a escolaridade é abreviada, a disciplina relaxada, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está por toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões, acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas?"

    Mas a revelação na minha opinião mais chocante é que as pessoas do mundo criado por Ray Bradbury abriram mão de se expressar e ser pensar diferente para evitar conflitos. 

    "Quanto maior a população, mais minorias. Não pise no pé dos amigos dos cães, dos amigos dos gatos, dos médicos, advogados, comerciantes, patrões, mórmons.... Lembre-se Montag, quanto maior o seu mercado, menos você controla a controvérsia! Todas as menores das menores minorias querem ver seus próprios umbigos, bem limpos" 

    "Autores cheios de maus pensamentos, tranquem suas máquinas de escrever! Eles o fizeram. As revistas se tornaram uma mistura insossa. Os livros, assim diziam os malditos críticos esnobes, eram água de louça suja. Não admira que parassem de ser vendidos, disseram os críticos. Mas o público, sabendo o que queria, com a cabeça no ar, deixou que as histórias em quadrinhos sobrevivessem. E as revistas de sexo em 3-D, é claro. Aí está, Montag. A coisa não veio do governo. Não houve nenhum decreto, nenhuma declaração, nenhuma censura como ponto de partida. Não! A tecnologia, a exploração das massas e a pressão das minorias realizaram a façanha, graças a Deus. Hoje, graças a elas, você pode ficar o tempo todo feliz, você pode ler quadrinhos, as boas e velhas confissões ou os periódicos profissionais”

    “Você precisa entender que nossa civilização é tão vasta e agitada que não podemos permitir que nossas minorias sejam transtornadas e agitadas. Pergunte a si mesmo: O que queremos neste país, acima de tudo? As pessoas querem ser felizes, não é certo? Não foi o que você ouviu durante toda a vida? Eu quero ser feliz, é o que diz todo mundo. Bem, elas não o são? Não cuidamos para que sempre estejam em movimento, sempre se divertindo? É para isso que vivemos, não acha? Para o prazer, a excitação? E você tem de admitir que nossa cultura fornece as duas coisas em profusão”

    “Os negros não gostam de Little Black Sambo. Queime-o. Os brancos não se sentem bem em relação à Cabana do pai Tomás. Queime-o. Alguém escreveu um livro sobre o fumo e o câncer de pulmão? As pessoas que fumam lamentam? Queimemos o livro. Serenidade, Montag. Paz, Montag. Leve sua briga lá para fora. Melhor ainda, para o incinerador. Os enterros são tristes e pagãos? Elimine-os também. Cinco minutos depois que uma pessoa morre, ela está a caminho do Grande Crematório, os incineradores atendidos por helicópteros em todo o país. Dez minutos depois da morte, um homem é um grão de poeira negra. Não vamos ficar arengando os in memorian para os indivíduos. Esqueça-os. Queime tudo, queime tudo. O fogo é luminoso e o fogo é limpo”

    A primeira coisa que me vem na cabeça lendo esses trechos é a cultura do cancelamento que estamos vivendo hoje em dia, parece que na cabeça das pessoas que cancelam as outras se passa o seguinte ponto "tudo que é contrário a minha bolha ou ao que eu concordo? Não presta e não deveria existir" mas quem determina qual é o julgamento correto ou não? 

    Espero que no nosso caso ao invés de jogar fogo ou cancelar o que não concordamos, tomemos a atitude de dar espaço a conversas respeitosas, trocas de experiências e a valorização do senso crítico, pois só assim poderemos evoluir como sociedade. 

    Um vídeo muito legal que fala sobre isso é o "How Fahrenheit 451 Predicted Fake News – How Did We Get Here?" para assistir clique aqui, ele esta em inglês. 

    Se você já leu o livro me conta o que achou! Se não leu, aproveita esse material de apoio com curiosidades, pontos principais e espaço para anotações, que foi elaborado pelo Clube do livro Maringá!  



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    Você sabe o que é uma distopia?

    Se não sabe, calma que eu te explico, eu descobri esse termo ano passado, apesar de já ter lido algumas! 

    Distopia é uma "utopia negativa" e são frequentemente criadas como avisos ou como sátiras, mostrando as atuais convenções sociais e limites extrapolados ao máximo.

    Normalmente na literatura representam lugares ou épocas sob condições de extrema opressão, desespero ou privação, que pode ser causada por um governo opressivo ou por uma anarquia, por condições econômicas, ambientais ou diferentes extremos.

    Por mais que sejam uma forma de ficção e entretenimento são ótimos livros para despertar reflexões e senso crítico no leitor!

    Distopias literárias:


             

    Distopias na Tv: 



    Não poderia deixar de citar Black Mirror, que também é uma série distópica, que em cada episódio mostra uma situação onde a presença da tecnologia saiu do controle. 



    Handmaid's tale ou o Conto de Aia, é uma série baseada no livro escrito em 1985 da escritora Margaret Atwood, uma distopia futurista em que acontece um golpe terrorista nos Estados Unidos, assassinando o presidente e grande parte do congresso, após o ataque quem assume o controle é um movimento cristão/militar que retira todos os direitos das mulheres. 

    Eu comecei a série esse final de semana e ainda estou na primeira temporada, atualmente existem 3 temporadas disponíveis e aqui no Brasil é possível assistir pelo globo Play. 

    Gostei bastante, o clima de mistério e angustia para querer saber o que acontece com os personagens principais faz a série propícia para maratonar. 

    Eu amei os livros que inspiraram a série, se você quiser saber a minha opinião e as principais diferenças é só clicar aqui.

    Eu gosto bastante desse gênero, inclusive o primeiro livro do Clube do livro Maringá vai ser o Fahrenheit 451, em breve vou fazer um post sobre ele e sobre o clube! 

    E você? Gosta desse gênero? Me conta nos comentários!

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    Eu tenho uma teoria sobre distopias, os autores são seres enviados ao futuro para darem uma olhadinha e alertar a população do passado para que consigam mudar seu destino.

    Admirável Mundo novo de Audous Hurley foi escrito em 1931, nessa distopia ele criou uma previsão de como será a sociedade em 634 d.F (depois de Ford), tudo aparenta ser perfeito, o Estado quer garantir o bem-estar de todos e conseguiu evitar, doenças, fome, guerras e ninguém envelhece.

    Porém alguns valores da sociedade foram totalmente alterados família é coisa do passado e quase um palavrão, os bebês são gerados em laboratório e “criados” pelo próprio Estado sendo direcionados desde de criança para pertencerem a uma determinada casta. Adeus para a mobilidade social! 

    Monogamia agora é crime! “Cada um pertence a todos”. Adeus ao seu sonho de encontrar a sua alma gêmea!

    A felicidade é obrigatória! Caso você não esteja se sentindo muito bem, fica tranquilo, tem um remedinho que deixa as pessoas felizes e anestesiadas como o álcool, porém sem ressaca, afinal para que sentimentos ruins né?

    Ainda existem reservas selvagens onde poucos cidadãos tentam manter os valores de família, religião e preservação da história. E o enredo narra o encontro dessas duas realidades.
    A leitura faz a sua cabeça explodir!

    Para comprar o livro, click na foto abaixo!

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