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Natália Picoli

Leituras, viagens e morar bem

    • Lidos em 2023
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    1984 é uma distopia escrita por George Orwell em 1949 e um dos inspiradores do reality show Big Brother, quer saber porque? Leia essa resenha para descobrir! 

    Eu fiz a leitura coletiva do livro em setembro no clube leitura orgânica e foi uma experiência muito incrível, porque cada pessoa trouxe sua própria experiência e vivencia de mundo o que ajuda a interpretar melhor essa distopia. 

    Já contei aqui que eu tenho uma teoria de que quem escreve distopia viajou para o futuro e voltou com um alerta e durante a leitura de 1984 podemos observar algumas coisas "atuais" e outras que ainda são um alerta. 

    Sinopse

    Imagine um cenário onde você é observado 24 horas por dia, suas expressões faciais, suas conversas, sua casa, tudo monitorado por teletelas (como se fossem televisões que além de transmitir imagens também nos monitoram) te lembra alguma coisa? Instrumentos que o próprio governo instala nas ruas e nas casas. Eu já estaria ferrada nesse cenário, meu controle de expressão facial é nulo. 

    Nessa realidade o governo controla TUDO, até mesmo a utilização dos elevadores e manutenções dos prédios. 

    Esse é o cenário de 1984, uma realidade pós segunda guerra mundial, que se passa na pista de pouso 1 (antiga Grã-Bretanha). Acompanhamos o romance através do personagem Winston, um homem comum, funcionário público cuja função é reescrever a história de forma a colocar os líderes de um país fictício sob uma luz positiva.

    Winston, contudo, não aceita bem essa realidade, que se disfarça de democracia, e vive questionando a opressão que o Partido e o Grande Irmão exercem sob a sociedade. Ele fica tentando se lembrar de como as coisas eram antes da grande guerra, porém sem sucesso, afinal de contas ele era pequeno e a história já foi reescrita tantas vezes que fica complicado saber o que é real ou não. 

    Contexto histórico 

    1984 assim como Fahrenheit 451 foi escrito após o término da Segunda Guerra Mundial, o autor viveu a censura feita pelo estado nazista e em uma época em que a comunicação em massa estava crescendo. 
    O livro é considerado um clássico moderno. Ele questiona, de diversas formas e em vários momentos, os excessos delirantes do poder. Além disso, embora tenha sido publicado em 1949, mostra-se muito atual ao tratar de questões atemporais, que atingem todos que o leem, independentemente da idade, sexo, cor ou classe social. É por esses motivos, dentre outros, que “1984” é tido como um livro indispensável para o entendimento da história moderna e é altamente recomendado para empresários, funcionários de diferentes segmentos e universitários de diversos cursos. O livro não é só uma crítica ao totalitarismo, mas também um alerta sobre o nível de submissão dos indivíduos.

    Sobre o autor


    George Orwell (1903-1950) é o pseudônimo de Eric Arthur Blair, escritor e jornalista inglês, nascido em Motihari, na Índia Britânica, em 1903. 

    Ainda estudante, ele publicou seus primeiros textos no periódico da escola, foi aluno de francês de Aldous Huxley autor de Admirável mundo novo. 

    Em 1922, George Orwell alistou-se na Polícia Imperial da Índia e foi para a Birmânia (hoje Myanmar), onde serviu durante cinco anos, até pedir demissão.

    Entre 1928 e 1929 vagou pela França e Inglaterra e começou a escrever os primeiros rascunhos de sua primeira obra “Sem Eira Nem Beira em Paris e Londres.” que foi publicado em 1933 e contou com a ajuda da brasileira Mabel Lilian Sinclair Fierz.

    O autor era declaradamente simpatizante do socialismo. 
    “Tornei-me pró-socialista mais por desgosto com a maneira como os setores mais pobres dos trabalhadores industriais eram oprimidos e negligenciados do que devido a qualquer admiração teórica por uma sociedade planificada”.
    Em 1944, escreveu que "a palavra 'fascismo" é quase inteiramente sem sentido... quase qualquer inglês aceitaria 'valentão' como sinônimo de 'fascista'", nesse sentido, também descreveu a palavra como algo que já não tem qualquer significado, exceto para significar algo não desejável. 

    Ele participou ainda da Guerra civil espanhola e criticou a atitude comunista em seu livro "Lutando na Espanha".

    Em 1943, engajado nos movimentos socialistas, foi nomeado diretor literário do periódico socialista “Tribune”, para o qual escreveu numerosos artigos e ensaios.

    A admiração literária de George Orwell se consolidou com a publicação de “A Revolução dos Bichos”, uma brilhante fábula satírica inspirada na traição da revolução soviética e seus próprios ideias, uma das publicações mais vendidas no século XX.

    Obras:

    Romances 

    Dias na Birmânia
    A Filha do Reverendo
    Mantenha o Sistema/Moinhos de Vento/A Flor da Inglaterra
    Um Pouco de Ar, Por Favor!
    A Revolução dos Bichos 
    1984

    Baseadas em experiências pessoais

    Na Pior em Paris e Londres 
    A Caminho de Wigan
    Lutando na Espanha


    Minhas impressões

    Esse é um daqueles livros que conseguimos formar diversos paralelos com a realidade atual, embora o autor fosse socialista criou uma obra que critica uma versão extremamente totalitária do socialismo, chegamos a conclusão durante a discussão do clube que ele faz isso como um alerta as coisas que ele acreditava que poderiam desvirtuar o movimento. 

    Separei alguns pontos que me chamaram atenção e queria dividir aqui: 

    Paradoxo sobre os ministérios: 

    O ministério da verdade garantia que a verdade seria aquela que o partido quisesse que fosse, responsável pelas notícias, entretenimento, educação e belas artes. 
    O ministério da paz cuidava dos assuntos da guerra. 
    O ministério do amor cuida de assuntos como tortura. 
    O ministério da Pujança ou Abundância cuida dos assuntos econômicos, mas os itens estavam sempre escassos.

    Fuga da realidade 

    Assim como em Admirável mundo novo existia uma droga, neste caso o Gin que o personagem utilizava para fugir da realidade e entrar em um estado de anestesia. 

    Minutos de ódio

    Em 1984 vivemos um cenário de guerra eterna, afinal segundo o lema do partido: 

    "Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força" 

    Nesses 2 minutos de ódio e depois na semana do ódio, os participantes são incentivados a gritar, atirar objetos e linchar o objeto de ódio: Goldstain o inimigo do partido. 

    Quase um twitter em dia de cancelamento. 

    Nova Fala 

    Uma das agendas do governo é utilizar cada vez menos palavras, uma das metas é diminuir a cada ano o número de palavras do vocabulário da Oceânia, como uma forma de controle da população. 
    "Se o pensamento corrompe a linguagem, a linguagem também pode corromper o pensamento."

    Além disso o partido aplicava o conceito de duplipensamento "Pensamento duplo indica a capacidade de ter na mente, ao mesmo tempo, duas opiniões contraditórias e aceitar ambas. 

    Uma outra forma de acabar com a individualidade das pessoas era classificar todos os indivíduos como "camaradas" acabando com a identificação de sexo e todos precisavam vestir um macacão unisex e maquiagem era proibido. 

    Enquanto eu estava lendo o livro recebi um vídeo explicando sobre a linguagem neutra que estão tentando aplicar aqui no Brasil e não pude deixar de fazer um paralelo com esses dois conceitos do livro. 

    Núcleo familiar 

    Assim como em Admirável mundo novo o núcleo familiar não é como conhecemos hoje, porém se em Admirável mundo novo as relações sexuais eram incentivadas, em 1984 elas eram apenas para fins de procriação, afinal essa energia da tensão sexual era um componente para os minutos de ódio e para a guerra infinita. 

    Em 1984 a família ainda existe, as pessoas são estimuladas a gostar dos filhos quase que nos moldes de hoje em dia, porém as crianças eram colocadas contra os pais e aprendiam a espiona-los dentro de casa e a relatar os seus desvios, isso era possível porque a educação estava 100% nas mãos do partido. Nessa parte me lembrei do alerta feito no livro Direitos máximos, deveres mínimos  onde o autor coloca que é muito fácil empregar uma ideologia conveniente ao governo quando é ele quem diz o que será aprendido no curriculo escolar. 

    Teletelas da atualidade 

    Uma das coisas que me incomodou profundamente no começo da leitura foi a sensação de ser observado o tempo todo pelas teletelas, elas inspiraram a criação do reality show Big Brother, onde os participantes são vigiados 24 hrs por dia o tempo todo e até leva o nome do Grande irmão. 

    Porém durante a discussão do clube do livro, notamos que já somos vigiados no nosso dia a dia, pelas redes sociais e gagets que utilizamos o tempo todo, siri, alexa, google nest e diversos outros, monitoram o que acessamos na internet, o que compramos etc. Sim isso trás muitos pontos positivos, mas não pude deixar de ficar com um medinho de uma teoria da conspiração. 

    Para concluir não acho que estamos na sociedade de 1984, estamos conectados com pessoas do mundo todo, temos acesso a informação em tempo real do que acontece em outros locais. Sim, é difícil as vezes discernir o que é verdade e o que é fakenews, mas a lição que eu tirei é que enquanto nós mantermos nossas características que nos tornam humanos e únicos, como relações afetivas, empatia e individualidade, fica difícil chegar a esse cenário. 

    Espero que tenha gostado da analise do livro! Se você já leu o livro me conta o que achou! Se não leu, aproveita e já compra ele aqui



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    Já estamos quase em agosto mas eu resolvi selecionar os 5 melhores livros do primeiro semestre de 2020!

    Não foi fácil e tenho certeza que os 5 melhores do ano vai ser uma seleção mais árdua ainda! 

    1. Trabalhe 4 horas por semana - Timothy Ferriss - Um livro que todo mundo deveria ler pois fala da relação com o trabalho, tempo livre e realizações!

    2. Pai rico, pai pobre - Robert Kiyosaki - Um ótimo livro para quem esta começando a pensar em finanças e investimentos! Recomendo muito e para quem for comprar, a edição mais recente foi expandida e tem mais conteúdo ainda do que a versão que eu li!

    3. As 6 lições - Ludwig Von Mises - Fala sobre os princípios da economia, os diferentes sistemas políticos, inflação e diversos conceitos que nem sempre são pautas de uma grade curricular comum, recomento fortemente a leitura! 

    4. A semente da vitória - Nuno Cobra - Foi o único livro com a temática saúde física que eu li esse ano. Esse é um assunto que me interessa bastante e é um livro que me fez rever alguns hábitos, apesar de ter alguns conceitos ultrapassados no macro fez muito sentido para mim. 

    5.A insustentável leveza do ser - Milan Kundera - O único de ficção que eu selecionei, não que eu não tenha amado os outros de ficção que eu li, mas procurei selecionar os livros que mais mexeram comigo e com minhas ações do primeiro semestre. E esse é um daqueles livros que explode a sua cabeça a cada paragrafo sabe? Se você ainda não leu, comece o mais rápido possível! 

    Já leu algum da seleção? Me conta nos comentários!
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    Como diria a autora você é livre para fazer o que você quiser e para pensar o que você quiser, desde que seja racional. Separei as partes que mais me chamaram a atenção do pensamento de Ayn Rand e no final você decide se deve ou não ler o livro! 

    Autora


    Antes de falar sobre o livro "Ayn Rand e os devaneios do coletivismo" do Professor Dennys Garcia Xavier, você sabe quem foi Ayn Rand? 

    Essa contextualização é tão importante que foram utilizadas 68 páginas contando  a vida da autora e só depois na sua obra.

    Ela nasceu com o nome de Alissa Zinovyevna em 1905 na Russia, em uma família judia. Aos nove anos decidiu que seria escritora, aos 12 já havia escrito 4 romances, todos com uma heroína da sua idade. 

    Quando foi instalado o regime comunista na Russia sua família teve o negócio e o apartamento apreendidos, sendo obrigados a dividir com outras famílias. Ela fez faculdade e trabalhou como guia turística, mas tinha o sonho de fugir do regime comunista.

    Aos 21 anos, esse sonho foi realizado, ela foi visitar alguns parentes nos Estados Unidos e nunca mais voltou para a Russia. Trocou de nome para Ayn Rand e foi morar em Hollywood. Conseguiu seu primeiro emprego nos EUA como figurante onde conhece seu marido (Sim a vida dela é tipo um livro de ficção). Trabalhou como roteirista, vendedora de assinaturas de revistas, mas nunca desistiu do seu sonho de escrever.

    The fountainhead (A nascente) foi seu primeiro grande livro publicado, sendo adaptado para o cinema. 

    Em todos os seus romances os personagens principais seguiam o código de ética do objetivismo, uma filosofia elaborada por Rand. Em 1958 ela começou a dar palestras sobre essa linha de pensamento.

    Ela pregava que todas as decisões deveriam ser tomadas de forma racional e assim ela viveu, teve um caso extraconjugal com seu discípulo e esse caso teve a anuência dos respectivos cônjuges, de forma racional. 

    Isso aconteceu em 1954, não consigo classifica-la de forma diferente do que ela mesma disse em uma entrevista "minhas opiniões provavelmente serão a norma no futuro, mas não neste momento" ainda não chegamos nesse futuro. 

    Ela faleceu em 1982.

    Obras:  

    Obras de ficção: 

    We the living
    Anthem
    The fountainhead - A nascente 
    Atlas Shrugged - A revolta de atlas*
    *Uns dos livros mais lidos até hoje nos EUA 


    Obras não-ficção

    For the new intellectual 
    The objectivist newsletter
    The virtue of selfishness
    Capitalism: The unkown ideal
    The objectivist
    Introduction to Objectivist Epistemology 
    The romantic Manifesto 
    The new left: The anti-industrial revolution
    The Ayn Rand letter
    Philosophy: Who needs it


    O livro - Ayn Rand e os devaneios do coletivismo 

    O livro é um ensaio feito pela equipe do Professor Dennys Xavier que elenca os principais pontos da filosofia Objetivista elaborada por Rand.

    O que seria o Objetivismo?

    "Minha filosofia, em sua essência, é o conceito de Homem como um ser heroico, tendo a felicidade como o propósito moral da sua vida, a conquista produtiva como sua mais nobre atividade, e a razão como seu único referencial". Ayn Rand  


    A filosofia elaborada por Rand, tem o modelo de homem ideal que age através da racionalidade e dos seus próprios valores para atingir um propósito principal a busca pela sua felicidade. Sem nunca explorar ou exercer a imposição pela força sobre outras pessoas visando o seu próprio ganho. 

    Segundo ela, essa felicidade não pode ser alcançada por desejo ou capricho, é preciso que se leve em consideração o respeito pelos fatos e as necessidades humanas e para atingir esse estado racional é preciso viver segundo os princípios objetivistas: Integridade moral e respeito pelos direitos dos outros.

    Ao falar de moralidade objetivista, deve-se entender que ela considera a moral no âmbito racional, extraída a partir dos fatos, não como gostaríamos que fossem, mas como são, como se apresentam. 

    Ela defende o egoismo racional, para ela, egoismo não esta atrelado ao seu sentido comum e pejorativo. 

    No objetivismo agir egoistamente é perseguir o seu próprio interesse, mas não qualquer coisa que se ache ou sinta que é o seu interesse. Pelo contrário, é através do pensamento racional que o homem identifica o que está ou não está, de fato, em seu interesse. 

    "Para o senso comum, o ser humano que age visando apenas o seu próprio beneficio e bem-estar age egoisticamente. O altruísmo, tão em voga em nossa sociedade, coloca como premissa o agir sempre calcado no benefício do coletivo, da sociedade. Esse modo de agir, claro, desconsidera o interesse do próprio indivíduo"  Ayn Rand

    Ilustrando o egoismo racional 


    Imagine que você esta escolhendo a sua carreira baseado em fatores racionais (tenho facilidade com essa habilidade, me identifico com essa carreira, etc), mas renuncie a sua escolha para agradar seu pai ou sua mãe e resolve seguir uma carreira diferente, para agrada-los. 

    O jovem que faz essa renuncia, faz achando que é seu dever como filho, mesmo sabendo que é uma decisão emocional e irracional. Acaba aceitando uma vida frustada, isso porque para ele agir em seu auto-interesse é imoral e egoísta.

    Para o objetivismo a visão político econômica seria o capitalismo puro e que a função do governo é proteger os direitos da população, para ela, qualquer sistema de leis que seja orientado para minimizar direitos individuais é um sistema de leis de uma sociedade escravocrata. 
    "Os direitos individuais não podem estar sujeitos a uma votação pública; uma maioria não tem o direito de votar e acabar assim com os direitos de uma minoria; a função política dos direitos é precisamente proteger as minorias da opressão das maiorias e a menor minoria da terra é o individuo" 
    O livro entra em diversos outros detalhes da filosofia Randiana, mas resumindo, ela defende que devemos pensar utilizando o egoismo racional, nossos próprios valores e validada pela razão, não porque eu quero ou porque eu acredito. 

    Além disso para ela, só podemos ser responsáveis pelos nossos próprios atos. Se por exemplo eu escolho ser altruísta, porque EU quero, para os meus valores faz sentido e eu não obrigo ninguém a ser altruísta comigo, então isso é uma decisão moral.

    Foi uma leitura que borbulhou a minha cabeça e acredito que é extremamente válida para quem gosta de estudar sobre politica e filosofia. Porém acredito que uma sociedade objetivista é utópica, afinal como seres humanos não conseguimos ser racionais em todos os momentos, nem ponderar todas as possibilidades antes da tomada de decisão.

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    Se ninguém confia em ninguém, por que, então, respeitar as regras formais e informais da (ainda) orientam a sociedade? Quebrar regra, portanto, se torna a norma. 

    Uma das frases que me chamaram atenção do livro Direitos máximos, deveres mínimos do Bruno Garschagen. Esse livro estava na minha lista de leitura sobre economia e posicionamento político e foi uma leitura muito enriquecedora me proporcionou reflexões e me ensinou muitos conceitos que até então eu desconhecia. 

    Quer saber mais porque eu criei uma lista de leitura sobre economia e posicionamento político?

    Sobre o autor Bruno Garschagen 


    Bruno Garschagen é Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e Universidade de Oxford (visiting student), formado em Direito, coordenador e professor de Ciência Política da Pós-Graduação em Escola Austríaca (IMB-UniÍtalo), podcaster do Instituto Mises Brasil.

    Atualmente ele tem um curso online "Para entender política" um curso básico sobre conceitos políticos definições como direita, esquerda, conservadorismo, liberalismo, capitalismo, socialismo/comunismo/progressismo, nazismo, fascismo entre outros.

    No livro “Direitos máximos, deveres mínimos”, Bruno Garschagen investiga a cultura do privilégio na sociedade brasileira. O livro é dividido em 4 partes: 
    • Parte 1: Direitos e Privilégios;
    • Parte 2: Privilégios no Estado;
    • Parte 3: Privilégios na Sociedade;
    • Parte 4: Privilégios, responsabilidade e o sentido da vida.
    Separei as partes que mais me chamaram a atenção no livro para te dar um gostinho da obra.

    Parte 1: Direitos e Privilégios

    Nessa parte o autor fundamenta um pouco o seu pensamento com conceitos como direito natural, direito positivo, sobre a confusão entre direitos e privilégios e como essa cultura esta enraizada na nossa sociedade. Para mim, leiga em direito, o que mais chama atenção nessa parte do livro é a diferença entre direito natural e direito positivo.

    Direito natural x Direito Positivo

    Direito natural é todo aquele que independe do Estado ou de leis, é inerente a todo ser humano por exemplo o direito a vida, igualdade e a liberdade, já o direito positivo é criado e garantido por leis e normas (Constituição Federal) por exemplo o direito a saúde, educação, segurança. 

    Levando em conta o nosso cenário e os direitos positivos, você acredita que esses direitos estão sendo cumpridos? Se não são realmente cumpridos podemos considerar eles como direitos realmente ou apenas promessas utópicas na nossa constituição? 

    Parte 2: Privilégios no Estado


    Nessa parte o sentimento que você terá será de RAIVA. O autor trás exemplos de como a constituição trata de forma diferente os membros do próprio governo e os cidadãos comuns.

    O livro é recheado de exemplos mas separei alguns dos mais chocantes "direitos" dos membros do Estado:

    1. O estado executa, legisla e judicializa em causa própria o que gera o privilégio de criar recursos que estão disponíveis apenas para os membros do estado, um exemplo básico é que usucapião é permitido apenas em propriedades privadas, em terras do estado isso não existe. 
    2.  Na iniciativa privada se você é incompetente em uma determinada função, você provavelmente é mandado embora, certo? Porém se você for um juiz, você será aposentado compulsoriamente.
    3. Alguns cargos da elite de servidores públicos do judiciário, ministério publico e tribunal de contas tem a isenção de 30% do imposto de renda, bem que poderia se estender a todos os brasileiros não é mesmo?
    4. O estado também ama trabalhar no vermelho, enquanto uma empresa fecharia se estivesse no prejuízo o estado apenas contrai divida publica. Em compensação quando uma empresa esta em deficit ela corta gastos o estado parece desconhecer esse conceito, e continua gastando como se não houvesse amanhã, alguns dos pequenos gastos com o executivo são cartões corporativos com as faturas sigilosas, ex-presidentes com 8 assessores e 2 carros de luxo e por incrível que pareça até durante que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava preso ele teve "direito" a esse auxilio.
    5. Os privilégios não são só nas regalias pagas pelo povo, mas também prioridade em processos, como foi o caso da furada da fila do INSS que a ex presidente Dilma deu logo após o impeachment, em minutos o seu processo foi aberto e concluído no sistema, enquanto um brasileiro comum esperaria pelo menos 90 dias.
    6. O departamento médico da Câmara (DEMED) gratuito para deputados e dependentes e antigos deputados é outro beneficio. Os antigos deputados podem continuar participando do plano pagando parte da mensalidade o restante é subsidiado pelo estado, ou seja, pelo pagador de impostos. Em 2017 eles pagavam R$ 322,00 enquanto o Estado completava R$ 1100,16 e podiam participar mesmo aqueles com o mandato cassado.
    7. E a falcatrua é tanta que foi criado o Tribunal de contas para fiscalizar os três poderes e até ele sofre processos de corrupção, isso mesmo, um órgão de fiscalização foi pego em esquemas de corrupção. E pasme! Cada conselheiro do tribunal de contas tem cargo vitalicio 14º e 15º salários. 
    Esses só foram alguns dos exemplos que o livro trás e já da para ter uma ideia da do país das maravilhas que nós vivemos né? O livro é de 2018, me pergunto o que estaria exemplificado nele se estivesse sendo escrito agora em 2020 durante a pandemia. 

    Parte 3: Privilégios na sociedade 

    Nesta parte do livro o autor foca na mentalidade do brasileiro e na sua busca incessante por direitos e privilégios, porém para cada um desses direitos ou privilégios surgem deveres que deverão ser cumpridos por alguém. 
    "você verá porque o festival de privilégios que assola o Brasil é um grande esquema de incentivos por meio do qual alguns tentam viver às custas de todos e como a busca por privilégios corrói a responsabilidade individual, deteriora o sentido de dever e desestimula a descoberta de um sentido para a vida"
    Acredito que para as pessoas comuns é a parte que mais traga reflexões, porque é onde nos afeta, onde raramente paramos para refletir sobre assuntos que normalmente terceirizamos para pessoas mais instruídas. 
    Para mim foi uma leitura muito interessante pois colocou em cheque alguns sensos comuns que herdamos do nosso meio, em algumas partes concordo com o autor em outras ainda tenho minhas dúvidas, mas acredito que é justamente isso que torna a leitura rica, você abrir porta para reflexões que não havia pensado até então.

    Parte 4: Privilégios, responsabilidade e o sentido da vida


    Nesse capítulo além de amarrar as pontas ele aborta a corrosão do sentido de responsabilidade individual que acarreta em uma sociedade irresponsável que delega suas obrigações a terceiros, o paternalismo estatal e a ideia que o outro "me deve" alguma coisa.
    Ele apresenta com fatos que quanto mais é tratada como imatura mais a sociedade se infantiliza e pede por mais Estado por meio de direitos sociais e privilégios. O problema é que se trata do paternalismo do pai ausente, que promete e não cumpre e que transmite a impressão de quem é beneficiado não conseguiria alcançar aquilo de outra forma, criando uma verdadeira bola de neve.


    Minhas impressões

    Em algumas partes tive um pouco de dificuldade com os termos jurídicos acredito que é falta de costume de estudar esse assunto, de modo geral a leitura é bem didática e simples.

    O autor trouxe muitas referencias na construção do texto de reportagens a estudos acadêmicos, acredito que isso complementa a leitura. 

    Como eu falei a leitura me despertou inúmeras reflexões, trouxe posicionamentos que eu concordo e outros que eu descordo ou que me deixaram em dúvida. Eu ainda não tenho respostas para todas as dúvidas e para encontrar essas respostas vou continuar estudando e lendo sobre outros pontos de vistas acredito que só assim conseguimos construir o nosso próprio senso critico.

    Ele termina o livro citando Viktor Frankl "Assumir a responsabilidade para descobrir um propósito de vida é ato fundamental para o individuo" autor de "Em busca de sentido" outro livro que estou ansiosa para ler. 

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    Você já leu esse livro, o que achou? Me conta nos comentários! 

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